• Adriana Valadares

BH inicia trabalhos com método ecológico de combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

Belo Horizonte pretende reduzir em 50% o número de infectados por dengue, nos próximos quatro anos. Esse é o período previsto pela prefeitura para a eficácia de um método ecológico, iniciado nesta semana, que retira o vírus do Aedes aegypti.

Além da dengue, outras doenças transmitidas pelo mosquito, como zika e febre amarela, também devem ter queda significativa nas notificações. No caso da chikungunya, a diminuição esperada é de 77%.  

Os resultados devem ser alcançados por causa do Wolbachia, bactéria que está sendo inserida no Aedes e é capaz de bloquer o vírus transmissor das enfermidades. Os primeiros 270 mil mosquitos modificados foram soltos nessa segunda-feira (5) na região de Venda Nova.

Apesar da inserção da bactéria feita em uma biofábrica, especialistas da saúde garantem que o Aedes ficará inofensivo.

"Esse método é ecologicamente correto e não traz riscos para a saúde. Esperamos que nos próximos quatro anos tenhamos redução significativa das doenças", frisou o secretário municipal de Saúde Jackson Machado.


Método científico

Os mosquitos com o Wolbachia estão sendo produzidos na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, atualmente, tem capacidade para criar, por semana, pouco menos de 300 mil Aedes sem o vírus. Essa será a quantidade de insetos soltos em BH a cada sete dias. Com a expansão do projeto, a produção deve ter a capacidade aumentada nos próximos meses.

"É uma tecnologia bastante inovadora. Incluindo a bactéria no mosquito, há uma interrupção de doenças. O método é sustentável", destacou Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz. Coordenador da fundação, Lúcio Moreira explica que as fêmeas passam o Wolbachia para os descendentes, o que disseminará a produção dos mosquitos sem o vírus. Os pesquisadores afirmam que não há modificação genética no processo.

O reforço no combate a dengue, no entanto, não significa que a população pode relaxar nas medidas também eficazes para evitar a proliferação do Aedes. "O Wolbachia é complementar. As pessoas precisam continuar fazendo seu dever de casa, tirando os criadores de casa", ressaltou Moreira.


Surto

Venda Nova foi escolhida para receber os primeiros mosquitos sem o vírus por concentrar, em anos anteriores, os maiores registros das doenças transmitidas pelo Aedes. Mas, em breve, o projeto deve atender outras regionais da capital.

"Com o tempo todas as regiões da cidade vão receber. O planejamento é que seja expandido em breve", disse Machado. Além da nova tecnologia, o secretário de saúde informou que a prefeitura continua investindo em diversos métodos para conter o avanço da dengue, zika e chikungunya na cidade.

Nos próximos dias, drones irão auxiliar os agentes de combate a endemias em locais que não são possíveis fazer a visita presencial. Mesmo com todos os esforços voltados para a Covid-19, a PBH ressaltou que não deixou de lado a luta contra a outras doenças.

"Belo Horizonte investe R$ 60 milhões por ano em ações de combate a essas endemias. Os agentes comunitários fazem 30 mil visitas todos os dias para combater essas doenças", destacou o servidor da Secretária Municipal de Saúde (SMSA).




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