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Custo de vida e cesta básica nas alturas exigem pesquisa de preço

Com custo de vida elevado em Belo Horizonte e um preço recorde da cesta básica, que beira os R$590, consumidores mudam hábitos no supermercado e em casa para tentar economizar. Agora, a pesquisa de preço e o abandono de marcas mais caras voltam à rotina das famílias, mesmo em um cenário muito distante da hiperinflação que assombrou o Brasil nos anos 1990, quando esses hábitos eram indispensáveis.

“Nos últimos 20 anos, nós nos acostumamos a uma estabilidade da nossa moeda. A situação hoje é de aumento dos alimentos e até da energia elétrica, é muita coisa junto. As armas que temos que usar são as mesmas que usamos lá atrás: mudar de produto, de marca, procurar mais ofertas, pesquisar em mais de um supermercado”, diz a coordenadora institucional do Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDC/MG), Solange Medeiros.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 1,31% em setembro, em BH, e acumula alta de 9,34% nos últimos 12 meses. A alta em setembro é atípica e acende o sinal de alerta para a contenção de gastos, segundo o gerente de pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).

Ele explica que não há qualquer semelhança do cenário inflacionário atual com os anos 80 e 90, quando se chegava a altas de 80% do IPCA em um único mês. “O que ocorre agora é um ajuste mais forte de preços devido a uma retração da economia em 2020 principalmente, juntamente com uma reposição para compensar as muitas perdas e um reaquecimento muito forte do consumo, mesmo com a alta de preços. Pesquisar é valorizar o dinheiro para comprar mais e melhor”, diz.

De olho nas promoções, a coordenadora institucional do Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDC/MG), Solange Medeiros, recomenda cuidado com as ofertas. "Tem produto com preço muito abaixo do habitual porque está perto de vencer. Tem que correr para a data de validade", pontua.

Comprar cesta básica demanda 116 horas de trabalho

Comprar uma cesta básica em Belo Horizonte consome cerca de 116 horas e meia de trabalho, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Nos últimos 12 meses, o tempo necessário teve aumento de 18,5%.

O valor médio da cesta no município é o nono mais caro entre as capitais, chegando a R$582,61 - o valor é distinto dos quase R$590 apurados pelo Ipead devido à metodologias diferentes de pesquisa. Hoje, a cesta mais cara do Brasil é R$673,45, em São Paulo.




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