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Defesa Civil reforça alerta de risco geológico para BH

A Defesa Civil de Belo Horizonte reforçou, na noite deste domingo (7), o alerta de risco geológico, que foi divulgado na última sexta-feira (5) que vai permanecer até a próxima terça-feira (9). Segundo o órgão, há mais previsão de chuva forte para os próximos dias.

O alerta foi reforçado após dois imóveis desabarem em Belo Horizonte. O primeiro desabamento foi de um restaurante que fica na Avenida Amazonas, no bairro Gameleira, Região Oeste de Belo Horizonte. O Corpo de Bombeiros foi ao local para buscas, mas não teve vítimas. Já o segundo desabamento aconteceu rua Professor Mário Casassanta, bairro Carlos Prates, na Região Noroeste da capital. A terra empurrou três caminhões de uma transportadora que fica ao lado do local. Não há informações de vítimas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, há três casos com risco de desabamento. Os militares estão ajudando as pessoas a evacuarem a área.

Sinais de que deslizamento pode acontecer

  • Trinca nas paredes.

  • ⠀Água empoçando no quintal.

  • ⠀Portas e janelas emperrando.

  • ⠀Rachaduras no solo.

  • ⠀Água minando da base do barranco.

  • ⠀Inclinação de poste ou árvores.


Em 12 horas, choveu mais em BH do que o esperado para os 28 dias de fevereiro

A Defesa Civil informou, na tarde deste domingo (7), que, em 12 horas, choveu mais em Belo Horizonte do que o esperado para todo o mês de fevereiro. A média histórica para o segundo mês do ano é de 181,4 mm.

Só na região Centro-Sul, já choveu 182.4 mm — mais do que a média histórica esperada para toda a cidade. Confira os milímetros do temporal registrados em cada regional:

  • Barreiro: 111.6

  • Centro Sul: 182.4

  • Contagem: 122.2

  • Leste: 142.0

  • Nordeste: 154.0

  • Noroeste: 171.4

  • Norte: 131.6

  • Oeste: 130.6

  • Pampulha: 148.2

  • Venda Nova: 174.0

Fonte: Defesa Civil de Belo Horizonte Média Climatológica: Fevereiro 181,4 mm


ACUMULADO DE CHUVAS (mm), nas últimas 24 horas. Em 07/02/2021 às 21h:


Barreiro - 144,4 (79,6%) Centro Sul - 212,2 (117,0%) Leste - 172,8 (95,3%) Nordeste - 186,6 (102,9%) Noroeste - 205,0 (113,0%) Norte - 166,0 (91,5%) Oeste - 160,0 (88,2%) Pampulha - 181,2 (99,9%) Venda Nova - 210,8 (116,2%) Fonte: Defesa Civil de Belo Horizonte Média Climatológica Fevereiro 181,4 mm


ACUMULADO DE CHUVAS (mm) em FEVEREIRO até 21h do dia 7:

Barreiro: 203,4 (112,1%) Centro Sul: 277,0 (152,7%) Leste: 209,2 (115,3%) Nordeste: 239,6 (132,1%) Noroeste: 294,4 (162,3%) Norte: 196,4 (108,5%) Oeste: 199,4 (109,9%) Pampulha: 216,0 (119,1%) Venda Nova: 239,0 (131,8%)

Todas as regionais já superaram a média para o mês de fevereiro em apenas sete dias

Fonte: Defesa Civil de Belo Horizonte Média Climatológica FEVEREIRO 181,4 mm


Chuva não vai parar

A chuva forte e contínua que atinge Belo Horizonte e a região metropolitana deve prosseguir pelo menos até segunda-feira (8) devido à Zona de Convergência do Atlântico Sul que atinge o Estado e boa parte da região Sudeste do país. De acordo com o meteorologista da Geoclima, Heriberto dos Anjos, a partir de terça-feira (9) o sol pode começar a aparecer, mas a tendência é de pancadas de chuva na parte da tarde até o fim da semana.

Se a temperatura deste domingo foi estimada entre 18ºC e 22ºC, nesta segunda-feira deve subir para 18ºC e 25ºC e a máxima chegar até 28ºC a partir de terça-feira. “É esperado que a partir de terça é que já apareça o sol entre nuvens e que as temperaturas subam um pouco, superando os 28 graus ao longo da semana a partir de terça e com possibilidade de pancadas na tarde. Essa pancada é a típica de Verão, que ocorre mais entre dezembro e janeiro, mas como estamos no início de fevereiro, esse sistema ainda ocorre e pode ir até março”, explicou. Para o meteorologista, a chuva aliviou o tempo seco e a estiagem que já vinha desde a segunda quinzena do mês de janeiro. De acordo com o especialista, é possível que a chuva deste domigo (7) supere os 100 mm em algumas localidades da região Central do Estado. “Essa tendencia de tempo fechado até segunda-feira está desde sexta, quando tivemos essa frente fria, que quando fica estacionada por mais de três dias, é uma Zona de Convergência do Atlântico Sul, bem característico do Verão. Além de trazer chuvas generalizadas, deixa o céu encoberto, com volume significativo de chuvas, inclusive no norte de Minas, onde não estava tendo chuvas, tem se observado acumulados expressivos. Em alguns pontos já ultrapassou os 50mm, em alguns lugares já chegou a 100mm nas últimas 24h. É chuva na grande parte do Estado, o que é uma boa notícia para agricultores”, disse.

Ocorrências Com chuvas praticamente ininterruptas em todas as regiões da cidade, o domingo foi de inundações em Belo Horizonte. A Defesa Civil registrou elevação da água pelo menos na avenida Vilarinho, em Venda Nova, na avenida Tereza Cristina, na região do Barreiro e na avenida Cristiano Machado, próximo à Estação São Gabriel, na região Nordeste da capital. Na avenida Tereza Cristina, na altura do bairro das Indústrias II, na região do Barreiro, o encontro do córrego do Ferrugem com o ribeirão Arrudas transbordou e atingiu casas. Por volta das 16h30, a água invadia a rua Camig, uma das perpendiculares à avenida, e ameaçava entrar na casa dos aposentados Marisa, 69, e Antônio, 73, na esquina com a via. Para os moradores do ponto há pouco mais de uma década, enchentes em frente — e dentro — de casa não são novidade. Eles relembram que perderam praticamente todos os móveis do primeiro andar da casa durante as chuvas de 2020, inclusive os da cozinha em que Marisa preparava marmitas para vender. Enquanto o Arrudas transbordava e chegava às portas da casa nesta tarde, eles torciam, apreensivos, para que a água não rompesse a proteção de ferro que instalaram em frente à porta, na altura dos joelhos. "As imagens do ano passado ficam na cabeça da gente. Teve carro sendo arrastado, até caçamba", diz Marisa. Em menos de 15 minutos, a água tomava a calçada. Cerca de uma hora antes, quando a avenida já estava bloqueada por risco de inundação, o guarda municipal Samuel Sângelo, 39, analisava, de folga, a elevação do Arrudas próximo à mureta de proteção. Como a casa da mãe fica à beira da avenida e é invadida pelas enchentes, ele costuma monitorar a subida da água a fim de se preparar para ajudar a família a proteger os móveis e objetos da residência. "Quando a água bate nas vigas, é hora de ir para casa guardar as coisas", disse, rumando para a residência pouco depois. Com o rio formando ondas de água marrom e o risco iminente de ganhar o asfalto, um agente da prefeitura tentou impedir com uma repreensão que um carro passasse pela avenida, mas foi ignorado pelo veículo de passeio, que, cheio de passageiros, passou veloz por ele.

Vilarinho inunda duas vezes em um dia A avenida Vilarinho, em Venda Nova, região Norte de BH, inundou duas vezes no domingo, primeiro pela manhã, por volta das 9h, e novamente por volta das 16h30, no trecho entre a Vilarinho e a avenida Dom Pedro I, na região da praça do restaurante Habib's. Os tapumes que cobrem as obras de captação de escoamentos dos córregos Vilarinho e Nado, sustentados por blocos de concreto, foram derrubados pela enxurrada. Por volta das 13h40, funcionários da construtora responsável pelo local limpavam a área com ajuda de um caminhão-pipa — quatro horas depois, o trabalho estava perdido. No Habib's em frente, uma funcionária, que pediu para não ser identificada, conta que já não há pânico entre os colegas quando a água começa a subir, já que ela dificilmente alcançaria o interior do restaurante, mas que acordar para trabalhar em um dia de chuva sempre causa receio, devido ao histórico da Vilarinho. "Já fiquei uma hora ilhada aqui dentro antes. Quando começa a chover, os clientes ficam desesperados para ir embora", conta. Em outro trecho da avenida, na direção contrária à avenida Dom Pedro I, do alto de um prédio residencial na avenida, a assistente social Ana Cristina da Costa, 34, assistiu com medo à água subindo na avenida. Os alagamentos não chegam a entrar no prédio, porém houve vezes em que Ana Cristina não pôde sair de casa para pegar um ônibus para o trabalho devido às inundações em frente à sua casa. "Se a chuva continuar nesse ritmo de hoje, a avenida vai encher. Se isso acontecer, não consigo sair amanhã, eu dependo do transporte público. Moro em Venda Nova desde que nasci e sempre vi as inundações. Entre prefeito, sai prefeito, e isso não muda", relata. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informa que segue com obras para prevenção de enchentes na avenida Vilarinho. O controle de cheias nos afluentes córregos Marimbondo e Lareira está previsto para terminar no segundo deste ano, sob custo de R$ 40 milhões. Com o mesmo prazo e com investimento de R$ 105 milhões, ela diz que concluirá uma estrutura em forma de caixa para captar o escoamento de água na região da Vilarinho com rua Doutor Camargos e rua Maçom Ribeiro. Outra obra, com investimento de R$ 152,4 milhões financiado pela Caixa Econômica Federal, pretende otimizar o sistema de drenagem dos córregos Vilarinho, Nado e Ribeirão Isidoro. Propostas de empresas interessadas em conduzir a construção serão julgadas pela prefeitura até o dia 12 de fevereiro deste ano.


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