• Adriana Valadares

Distribuição das vacinas em Minas Gerais e os primeiros imunizados no estado


foto: Defesa Civil de Minas Gerais/Divulgação


Minas Gerais começou, na madrugada desta terça-feira (19), a distribuição das doses da CoronaVac para todo o estado. Das 577 mil vacinas recebidas, 60 mil ficarão em Belo Horizonte e as demais serão distribuídas para as 28 Superintendências Regionais de Saúde.

Por volta das 4h, um caminhão refrigerado deixou a Central Estadual da Rede de Frio, no bairro Gameleira, na Região Oeste da capital, e seguiu para o aeroporto da Pampulha com a primeira parte do carregamento. Pouco depois, às 4h43, um segundo veículo carregado com o restante das vacinas chegou ao aeroporto, onde o material será redistribuído, conforme definição do governo do estado. A CoronaVac é a vacina do Instituto Butantan feita em parceria com o laboratório chinês Sinovac, cujo uso emergencial foi aprovado neste domingo (17). A logística de transporte da vacina vai envolver a Defesa Civil, a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros. O transporte aéreo deve começar nas primeiras horas desta terça.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) trabalha em um plano de vacinação, que vem sendo discutido desde setembro do ano passado. As doses e os insumos serão distribuídos de maneira semelhante ao que já foi organizado pelo Programa Nacional de Imunização (PNI).

Para isso, 50 milhões de seringas foram adquiridas. Desse total, 21 milhões chegaram ao estado e sete milhões já foram entregues às 28 Superintendências Regionais de Saúde. Caberá a cada um dos 853 municípios buscar as doses de vacina nessas unidades regionais.

Seguindo o PNI, o primeiro grupo prioritário é formado por profissionais de saúde que atuam diretamente no combate ao coronavírus, idosos residentes em asilos e indígenas residentes em aldeias.


Os primeiros imunizados em Minas

A técnica em enfermagem Maria do Bonsucesso Pereira, de 57 anos, foi a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 em Minas Gerais. Ela recebeu a dose da CoronaVac em uma cerimônia simbólica no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana, na noite desta segunda-feira (18).

"Durante 10 anos eu venho trabalhando no Eduardo de Menezes, nele eu aprendi muito. Aprendi que o ser humano tem de ser tratado com carinho. Esse último ano para mim foi um ano diferenciado. Um ano que a gente lutou mais. Aquele ano que você veste uma roupa quente e trabalha com ela suando sem nem sequer tomar um copo d'água. Aquele dia que a gente via ambulância perdendo paciente sem ter o que fazer", disse.

Maria, conhecida como Cecé, trabalha há dez anos no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Eduardo de Menezes, unidade que é referência em infectologia e Covid-19 no estado. A técnica de enfermagem é responsável por preparar os leitos para receber os pacientes.

Cecé não tem comorbidades. No dia a dia, ela nunca pensa que está arrumando a roupa de cama para um doente, mas sim para alguém que merece se sentir especial, confortável e acolhido. O carinho é demonstrado em cada detalhe.

"Um doente para mim é dó. Na minha mente, para mim, estava recebendo um cliente, aquele que eu ia prestar um serviço. Sempre tive em minha mente de estar dando meu melhor. Esse momento para mim é triunfal, a nossa luz no fim do túnel. Eu peço à população: vacinem-se. Mas, por favor, eu imploro, não deixem de usar máscara, álcool gel e lavar as mãos. Isso ainda vai ficar conosco alguns anos, mas vai passar", afirmou Maria do Bonsucesso Pereira.

Além de Maria do Bonsucesso Pereira, de 57 anos, outras quatro pessoas receberam a CoronaVac nesta noite, todas funcionárias do Hospital Eduardo de Menezes. Thiago Libério, técnico em enfermagem, foi vacinado em seguida.

A enfermeira do CTI, Adileia Pereira de Jesus Cardoso, de 52 anos e o fisioterapeuta respiratório no CTI, Moisés Alves Senra, de 39 anos, também foram vacinados.

A primeira médica a receber a vacina foi Teresa Gamarano Barros, de 37 anos, asmática e coordenadora do CTI do hospital. “A vacina é uma dádiva de Deus. É a solução. É um presente da ciência”, disse ela antes de ser imunizada. A médica intensivista e clínica não se afastou da linha de frente um só dia desde o início da pandemia.

0 comentário
radio_bar2.png

Ouça ao vivo!