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Em BH, alta no preço das carnes em junho iguala IPCA de 12 meses ou o previsto para todo 2021

Entre a primeira e a última semana de junho, os preços de alguns cortes de carne em supermercados e açougues de BH subiram o equivalente, ou até mais, que a inflação registrada em um ano – seja a acumulada nos últimos 12 meses ou a total, prevista para 2021.

Levantamento divulgado pelo site Mercado Mineiro (MM), feito em 38 estabelecimentos da capital, entre os dias 22 e 24, mostra que a carne suína foi a que mais acumulou reajustes em relação aos primeiros dias do mês, subindo até 9% (no caso, o quilo do copa lombo, que passou de R$17,84 para R$19,46). Já a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, foi de 8,06%.

A aceleração acima do custo de vida geral anual, em menos de um mês, também foi observada em cortes de boi: o valor médio do quilo de acém, por exemplo, encareceu 5,79% em junho (de R$29,60 subiu para R$31,31). O percentual é próximo ao da projeção da inflação para 2021, feita pelo Banco Central: 5,97%.

Nem a carne de frango, tida como mais econômica, fugiu dos elevados reajustes. Em média, este mês, o produto subiu até 4,8% (o filé de peito, cujo quilo em média foi de R$15,09 para R$15,82). O índice é maior, por exemplo, que os 3,22% da inflação total de janeiro a maio. Segundo o economista e diretor do MM Feliciano Abreu, tais aumentos são explicados por fatores como a seca – que prejudica pastos – e a opção de muitos produtores pela exportação. “Há uma demanda ainda maior pela carne suína e de frango no mercado externo, em especial, na China. Com isso, há diminuição da oferta e os preços tendem a subir cada vez mais”, explica.

Porco

A maior pressão nos preços se deu na carne suína. Além da alta no quilo do Copa Lombo, o da bisteca suína saltou de R$17,66 para R$19,21 (8,76%). Outros cortes como o pernil sem osso e da costelinha subiram 5,5%.

De acordo com Luís Rua, diretor de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa produtores de carnes suína e de frango, a disparada nos preços tem relação com o repasse do custo de insumos – como milho e farelo de soja. “A maioria das empresas que hoje sustentam o mercado interno está estrangulada e não tem capital para fazer estoques maiores. Com isso, tem que repassar reajustes”, explica Rua.

Estratégia

Para a presidente do Movimento das Donas de Casa de Minas (MDC-MG), Solange Medeiros, nem as tradicionais pesquisas de campo aconselhadas aos consumidores – segundo o MM, a variação de preços entre açougues de BH chegou a 184% em cortes de boi, por exemplo –, têm sido suficientes para economizar. “Hoje, a melhor solução seria deixar de comprar. Ou escolher cortes mais baratos e esquecer os que estão nas alturas”, defende ela.




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