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Esgoto ameaça biodiversidade na Lagoa da Pampulha

Especialistas alertam que o despejo de esgoto na Lagoa da Pampulha ameaça a biodiversidade da região da represa. A maioria dos peixes que vivem no espelho d'água não são nativos, foram introduzidos após a implantação da represa, e passam por desequilíbrio. A péssima condição da água também é um alerta para a sobrevivência de outras espécies que vivem na região.

Todos os dias, cerca de 5 toneladas de lixo são retiradas da Lagoa da Pampulha. A represa foi construída para ajudar no controle das cheias da Capital, no abastecimento de água e para o lazer da população. A degradação do espelho d'água, que afeta a riqueza da flora da fauna, levou uma força tarefa, formada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público De Contas Do Estado De Minas Gerais (MPC-MG) a agir.

O grupo recomenda que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), e os institutos municipal e estadual de proteção ao patrimônio cultural cumpram com o compromisso de retirar os sedimentos acumulados por anos no reservatório. O município também tem que apresentar um plano de despoluição da lagoa.

Os peixes mortos têm sido indicadores da contaminação da água. Atualmente, são encontradas somente as espécies mais resistentes de peixes na lagoa, como é o caso da tilápia.

O pesquisador do Projeto Manuelzão, Carlos Bernardo Mascarenhas, explica que a condição da água vem causando, entre as espécies de peixes, um desequilíbrio que pode se tornar permanente.

“Ao longo do tempo, a gente tem visto que a fauna deteriorou, nas pesquisas que foram feitas lá no final do século passado, e no ‘comecinho’ deste século, e nós temos visto que a fauna realmente responde à qualidade da água — o peixe, então, como indicador. A tendência é que a fauna se estabilize neste patamar muito ruim que está hoje, ou seja, nós temos uma fauna com diversidade baixa, e com uma dominância de uma espécie muito grande”, afirma o pesquisador. Sem a retirada do esgoto, que é lançado na represa, nenhuma ação surtirá efeito, de acordo com especialistas que estudam a lagoa. O doutor em Ecologia, Luis Alberto Isla, destaca que a recuperação do ambiente é importante para a sobrevivência das diferentes espécies que vivem na região da represa.

O que diz a prefeitura Segundo a Prefeitura, a natureza resiste às condições adversas, e foram mapeadas mais de duzentas espécies de animais na lagoa da Pampulha. Entre as espécies estão 17 tipos de anfíbios, 8 de mamíferos, com destaque para as capivaras, 160 tipos de aves e 13 de répteis, entre elas, uma família de 17 jacarés.

“(A Lagoa) é um importante ponto de apoio para as aves em migração. A lagoa é utilizada como dormitório apenas, por muitas espécies. Ela é utilizada como ponto de reprodução por algumas espécies. Então todas as espécies, que estão distribuídas pelo município, pelos parques vizinhos e, mesmo, por municípios vizinhos, utilizam a Lagoa da Pampulha como ponto de apoio, e nós respeitamos isso, trabalhando para que as condições do ambiente estejam cada vez melhores ”, relata o gerente de Defesa dos Animais da PBH, Leonardo Maciel.

A PBH afirma ainda que é proibido praticar esportes náuticos, ou atividades recreativas de qualquer natureza sem autorização na Lagoa da Pampulha.

O Conjunto Moderno da Pampulha, composto pela Lagoa da Pampulha, peças artísticas e edifícios no entorno do espelho d'água artificial, é um cartão postal de BH, e recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial da Humanidade em 2016.


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