• Adriana Valadares

Estratégia de combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti terá "mosquito modificado", em BH

A partir de setembro, mosquitos Aedes aegypt, que passaram por um processo de implantação da bactéria Wolbachia, começam a ser liberados em Belo Horizonte. Este projeto, já realizado em outros países, é considerado promissor para redução da transmissão da dengue, zika e chikungunya.

Wolbachia é uma bactéria intracelular presente em 60% dos insetos, mas não é encontrada no Aedes aegypti. Através do Método Wolbachia, conduzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), este micro-organismo é implantado nos ovos do inseto, impedindo que os vírus das doenças transmitidas pelo mosquito se desenvolvam dentro dele.

Com a liberação dos mosquitos que contém a bactéria, a expectativa é que eles se reproduzam, estabelecendo-se, assim, uma nova população dos insetos, todos com o micro-organismo. Os pesquisadores afirmam que não há modificação genética no processo.

O líder do Método Wolbachia no Brasil, Luciano Moreira, disse que o estudo para controlar essas doenças já foi implementado por pesquisadores do World Mosquito Program (WMP) em 12 países.

Ainda segundo ele, os testes em Belo Horizonte seguem em 2021, 2022 e 2023. “Uma vez por semana, por 16 semanas, faz a liberação dos mosquitos com Wolbachia”, explicou.

Um estudo semelhante ao que será realizado na capital mineira pelo WMP na Indonésia indicou uma redução de 77% nos casos de dengue, virologicamente confirmados, nas áreas onde houve liberação de Aedes aegypti com a bactéria.


A ação no país

No Brasil, o Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, com apoio de governos locais. As ações foram iniciadas no Rio de Janeiro (RJ) e em Niterói (RJ), em área onde vivem 1,3 milhão de habitantes.

Em Niterói, dados preliminares já indicam redução de 75% dos casos de chikungunya nas regiões que receberam os Aedes aegypti com Wolbachia, na comparação com outras que não receberam.

O projeto está em expansão para Campo Grande (MS) e Petrolina (PE).


A ação em Minas Gerais

A Universidade Federal de Minas Gerais entra como parceira da iniciativa, através do projeto "Evita Dengue". Após a soltura destes mosquitos, pesquisadores da universidade vão avaliar os impactos na redução de casos da dengue, zika e chikungunya.

Segundo o médico e professor Mauro Teixeira, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), coordenador da pesquisa, essa é uma colaboração científica entre a UFMG e a Universidade de Emory, a Universidade Yale e a Universidade da Flórida, todas nos Estados Unidos.

O estudo é financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID/NIH), dos Estados Unidos. A pesquisa conta ainda com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio das secretarias de Educação e de Saúde, da Secretaria de Saúde de Minas Gerais e do Ministério da Saúde.

O “Evita Dengue” será realizado nas nove regionais de Belo Horizonte. Serão convidadas a participar da pesquisa 60 crianças, de 6 a 11 anos, da 1ª a 3ª séries, matriculadas em 58 escolas públicas municipais selecionadas.

Nas regiões onde estão localizadas 29 delas, o mosquito com Wolbachia será liberado em um primeiro momento.

Nas regiões das demais escolas, os Aedes com Wolbachia serão liberados após a validação dos testes.

Uma amostra de sangue será coletada das crianças para avaliar se elas tiveram contato com o vírus da dengue, zika ou chikungunya. O procedimento tem que ter o consentimento delas próprias e dos pais.

Para garantir o sigilo da identidades, as amostras serão identificadas por números e não pelos nomes.

“Os pais podem ficar tranquilos porque não será possível o uso desses exames para prejudicar seus filhos em hipótese alguma”, garante a pesquisadora Fátima Brant, doutora em Infectologia e medicina tropical da UFMG e integrante da equipe de coordenação do projeto. Além da coleta do sangue, Fátima disse que estão previstas ações de educação para a saúde nas escolas municipais participantes do estudo.

A pesquisadora falou ainda que o estudo em Belo Horizonte vai avaliar a eficácia do Método Wolbachia na capital mineira e que a biofábrica onde a bactéria é colocada nos ovos do Aedes aegypti fica no antigo centro de saúde do bairro São Francisco, na Região da Pampulha.


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