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Minas já teve mais de 5.200 focos de incêndio em setembro e é o 2º pior estado do país

Apesar das chuvas pontuais que começaram a cair no fim de semana, o fogo que consome a fauna e a flora em Minas Gerais se expande de forma avassaladora. De acordo com a última divulgação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 5.211 focos de queimada de 1º a 24 de setembro, o maior índice registrado no mês de setembro em nove anos. No mapa de monitoramento do instituto, o Estado está em segundo lugar no país em número de queimadas, atrás apenas da Bahia, que tem 5.573.

“A gente tem passado por um período de grande escassez hídrica, a estiagem está muito forte, e isso vem se refletindo em vários setores, tanto nas represas como na própria vegetação, que já está bem mais vulnerável à propagação do fogo. A falta de chuva ao longo dos tempos é o principal fator desses incêndios”, explicou Fabiano Morelli, chefe do Programa Queimadas, que pertence ao Inpe.

Neste mês, que ainda não terminou, Minas Gerais já superou a média histórica de setembro, que é de 3.031 focos. Segundo Morelli, o fogo no Estado, historicamente, tem as maiores quantidades registradas nesse período. Além do tempo seco, a causa humana também contribui para as diversas queimadas registradas no país, de acordo com o Inpe. “Temos poucas ocorrências de fatores naturais, como raios, fogos em turfas. Podem acontecer, mas a proporção é pequena frente à quantidade total de fogo que a gente está detectando pelos satélites. A ocorrência está, sim, associada a fatores humanos”, detalhou Morelli.

Segundo ele, os incêndios podem acontecer por descuido ou intencionalmente, de forma criminosa. “As queimadas estão associadas também à prática do uso do fogo. Ele é feito para limpeza de terrenos, renovação de pastagens”, disse. O principal alerta, de acordo com o profissional, é a conscientização da população. “As pessoas devem, sim, pensar um pouco mais além do seu patrimônio. Devem pensar no que vai acarretar aquele fogo, aquela fumaça. Não é só a perda ambiental, mas também o impacto para a saúde humana. Nós estamos no pior cenário, é um período crítico”, afirmou.

Punição por crime ambiental

No dia 13 de setembro, o governo de Minas iniciou uma força-tarefa para reprimir os incêndios florestais no Estado. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), desde o dia 1°, a Polícia Militar de Meio Ambiente prendeu oito pessoas suspeitas de provocar incêndios em vegetações. Dessas detenções, três foram realizadas durante a força-tarefa.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) é responsável por combater os incêndios florestais nas 94 unidades de conservação gerenciadas pelo governo. De janeiro a setembro deste ano, foram 693 queimadas em áreas protegidas – só neste mês, foram 218 queimadas.



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