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No último dia da campanha, vacinação contra a gripe em BH ainda está abaixo da meta

No último dia da campanha de vacinação contra a gripe em Belo Horizonte, a taxa de imunização na cidade está muito abaixo da meta estipulada pelo Ministério da Saúde, que é de 90% dos grupos prioritários, o que correspondem a 1,1 milhão de belo-horizontinos. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), 61,13% dos prioritários receberam a dose contra a influenza na capital. Especialistas alertam que a baixa adesão à campanha coloca em risco a saúde de crianças, idosos e pessoas com comorbidades e pode causar confusão no diagnóstico de Covid-19.

A campanha da vacinação contra a influenza em BH termina nesta terça-feira (31), mas as doses continuam disponíveis após essa data nos postos de saúde. Para aumentar a cobertura vacinal no município, em 19 de julho, a prefeitura liberou a vacinação da população em geral acima de seis meses de idade. Ainda assim, não houve avanço significativo. Considerando este público, que corresponde a 1,6 milhão de pessoas, apenas 198.872 belo-horizontinos foram imunizados.

O especialista em imunização e professor emérito da Faculdade de Ciência Médicas, José Geraldo Leite, explica que a falha na vacinação contra a gripe coloca em risco pessoas mais vulneráveis e dificulta o diagnóstico da Covid-19.

"Em idosos, crianças e pessoas com comorbidades, a gripe está potencialmente associada a internações, à necessidade de ventilação mecânica e a óbito. Outro problema é isso acontecer em um cenário do Sars-Cov-2, porque os quadro iniciais da infecção pelo coronavírus são muito parecidos, principalmente no caso da variante delta, então você tem uma confusão diagnóstica", explica o médico.

No momento em que as escolas estão se abrindo, a proteção contra a gripe se faz ainda mais necessária, destaca a professora de microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Giliane Trindade.

"As escolas estão voltando. A gente tem os protocolos de contenção. Então uma criança que chegar na escola com sintoma gripal, aquela turma vai se fechar, e não necessariamente seria Covid, mas acaba desorganizando a rotina escolar até que se confirme o diagnóstico. Então seria muito bom que as pessoas tivessem aderido à vacinação", diz.

Membro da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), José Geraldo diz que a entidade avalia que a baixa procura pela vacina da gripe acontece no Brasil inteiro e aponta as causas para esse cenário. "A análise da maioria na entidade é de que a opinião pública foi voltada para a Covid e se relaxou em relação à gripe e que também o investimento de todos os níveis - estadual, nacional e municipal - na divulgação foi muito fraco", explica.

O Ministério da Saúde orienta que a aplicação das doses das vacinas contra as duas doenças deve respeitar o intervalo mínimo de duas semanas, mas a população deve ser imunizada contra os dois vírus.

Nos últimos quatro anos, Belo Horizonte superou a meta de vacinação contra a influenza, de acordo com a SMSA. Em 2020, a cobertura vacinal da campanha contra a gripe foi de 96,5%. Já em 2019, foi de 92,5%. No ano de 2018, a vacinação atingiu 97% de cobertura, e em 2017, 93,8%.

Onde se vacinar em BH.

A vacinação é realizada nos Centros de Saúde da capital. Os horários e endereços estão disponíveis no portal da Prefeitura. Além disso, a parceria está mantida com a Droga Clara e Drogaria Araujo para vacinação do público em geral. São distribuídas senhas, sendo uma por usuário. O horário nas drogarias é das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados o horário é das 8h às 12h. Os endereços estão disponíveis também no portal da Prefeitura.

Os imunizantes disponíveis no SUS são trivalente, ou seja, protegem contra três dos principais vírus da gripe. A rede privada oferece a vacina quadrivalente contra a gripe, que protege contra quatro tipos de vírus, e o preço médio é de R$ 129,56, segundo levantamento do Mercado Mineiro realizado em abril deste ano.




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