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Queda de cobertura vacinal contra outras doenças foi intensificada pela pandemia da covid-19

Ao longo dos últimos anos, cada vez mais pessoas têm decidido adiar a vacinação de rotina, que mantém doenças como a poliomielite, o sarampo e a gripe sob controle. Com a pandemia da covid, a queda na taxa de cobertura vacinal de outras doenças se intensificou ainda mais.

Em Belo Horizonte, neste ano, a imunização contra as doenças está muito abaixo da meta de 95% definida pelo Ministério da Saúde. Até o momento, na capital, a cobertura vacinal contra a influenza é de apenas 62%, enquanto a poliomielite e o sarampo estão em 78,8% e 88,7%, respectivamente. A queda na campanha de imunização em 2021 é superior, inclusive, a do ano passado, quando diversas medidas restritivas ainda estavam em vigor na cidade.

No âmbito estadual, a situação não é diferente. Em Minas, a imunização contra a poliomielite ficou em 82,21%, enquanto a aplicação da segunda dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) ficou em 75,8%. O temor entre os especialistas é que com a flexibilização da pandemia e a maior circulação das pessoas na rua, o país enfrente surtos de doenças até então não conhecidas.

Segundo um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, em 2020, menos da metade dos municípios brasileiros atingiu ou superou as metas de cobertura estabelecidas pelo plano de imunização. No caso da vacinação contra a poliomielite, da primeira dose da tríplice viral, da imunização da BCG (tuberculose), da pentavalente (tétano, coqueluche, difiteria, hepatite B e meningite), da hepatite B (em crianças até 30 dias), da hepatite A, da pneumocócica, da meningocócica C e do rotavírus humano, a queda na proteção foi superior a 20%.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta, inclusive, a possibilidade de uma "catástrofe absoluta" neste ano devido à baixa cobertura vacinal, principalmente, entre as crianças. De acordo com a entidade, 23 milhões de pequenos não receberam as três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche no mundo. O número é o mais alto desde 2009.

"Você imagina se em um momento grave como o que estamos vivendo corremos o risco de voltar a ter surtos graves dessas doenças, que já estavam controladas há anos? Percebemos que a queda é em todas vacinas, meningite, HPV. Não tivemos uma explosão de casos ainda, porque as pessoas estão usando máscaras, lavando mais as mãos por conta da pandemia, além da circulação ter diminuído na cidade, mas à medida que as atividades foram voltando se as vacinas não estiverem em dia, iremos ter casos de doenças que há muito tempo não existia", alerta a Diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Belo Horizonte, Jandira Lemos.

"Meningite temos grande risco, é uma doença que provoca surtos. Temos uma outra situação, começamos o período de calor, é fundamental a vacina de rotavírus para as crianças. Além disso, no Sul e Centro-Oeste do país já estão tendo episódios de febre amarela. É preciso se proteger, temos excelentes vacinas à disposição da população gratuitamente. O Brasil tem a maior oferta de vacinas do mundo", completa Jandira.


Cobertura vacinal Veja como está a adesão a vacinação no Brasil e no mundo


Mundo 2020 - 23 milhões de crianças não receberam as três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche


Brasil 2020 - Menos da metade dos municípios atingiu ou superou as metas de cobertura estabelecidas pelo plano de imunização do país contra o sarampo, caxumba, rubéola, tuberculose e poliomielite


Minas Gerais 2020 - Tríplice viral (D1. - 12 meses): 92,42% - Tríplice viral (D2 - 15 meses): 75,8% - Poliomielite (menos de 1 ano): 86,03% - Poliomielite (VIP/1º reforço - 15 meses): 82,4% - Poliomielite (VIP/ 2º reforço - 4 anos): 78,72%

Meta: 95%


Belo Horizonte 2021 - Sarampo: 88,7% - Influenza: 62% - Poliomielite: 78,8%

2020 - Sarampo: 102,2% - Influenza: 95% - Poliomielite: 90,80%

2019 - Sarampo: 91,5% - Influenza: 94% - Poliomielite: 98,38%

Meta: 90%


Fonte: ONU, Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, Secretária de Estado de Saúde de Minas Gerais e Prefeitura de Belo Horizonte




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