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Rio das Velhas entra em estado de alerta por causa da seca na Grande BH

O Rio das Velhas entrou em estado de alerta na região de Honório Bicalho, distrito de Nova Lima, na Grande BH, onde a Copasa faz a captação água para abastecimento de 60% da Grande BH.

A situação de alerta foi declarada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), por meio de nota, que foi publicada no site do Comitê, "devido às baixas vazões registradas". Segundo o CBH, para considerar o estado de alerta, último estágio antes da necessidade obrigatória de restrição de uso da água, o Comitê sinaliza que a vazão média do manancial nas últimas duas semanas tem sido abaixo de 10,4 metros cúbicos por segundo, volume mínimo considerado seguro para o rio e após a captação da Copasa para abastecimento, a vazão residual ficou com média semanal de 3,61 metros cúbicos por segundo. No dia 31 de julho, a vazão chegou a 9,5. "(...) Sempre que a vazão de um curso d’água monitorado no estado ficar abaixo do valor médio mínimo dos últimos 10 anos, índice chamado de Q7,10, durante um período de sete dias seguidos, o manancial entra em estado de alerta", explica a nota do Comitê. A nota ainda disse que se esses valores reduzirem ainda mais, passando de 70% da Q7,10 e se repetirem nesse patamar por mais sete dias consecutivos, o rio entra em estado de restrição de uso. "Nesse caso, será necessário reduzir, de forma obrigatória, o uso da água, de acordo com os tipos de consumo".

Para evitar que a situação piore e chegue ao racionamento, o Comitê informou que "tem adotado medidas" em parceria com a Copasa, Cemig, Vale e AngloGold, por meio do Grupo de Controle de Vazão do Alto Rio das Velhas (CONVAZÃO), "visando a regularização das vazões, objetivando o direito de acesso de todos aos recursos hídricos, com prioridade para o abastecimento público e a manutenção dos seus ecossistemas".

“Temos acompanhado de forma sistemática a situação das vazões do Rio das Velhas e o cenário atual vem se mostrando pior em relação aos últimos anos. O problema não é apenas falta de chuva, mas também de perda de resiliência do rio”, afirmou o secretário do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano. A presidente do CBH Rio das Velhas, Poliana Valgas, explicou na nota que outro problema associado à escassez hídrica é a necessidade de melhorias e ampliação do sistema de tratamento de esgoto na bacia.

“Com baixa vazão, o Rio das Velhas perde sua capacidade de suporte em relação à diluição da carga poluidora lançada, gerando outro grande impacto por meio da eutrofização e proliferação de cianobactérias no seu médio e baixo curso, ocasionando a infestação de macrófitas aquáticas, plantas aquáticas que podem ser vistas a olho nu, neste trecho, até o encontro com rio São Francisco”, destacou. Segundo Valgas, a escassez tem "grandes impactos na segurança hídrica e na vida aquática ao longo da bacia. Por isso, buscamos mobilizar e conscientizar a sociedade para um uso mais consciente e eficiente da água neste momento e solicitamos aos usuários a diminuição da retirada de água para os usos não essenciais”, afirmou.


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