• Adriana Valadares

Terceira audiência entre Vale e governo de Minas termina sem acordo em relação a valores

Pela terceira vez, a audiência entre Vale e governo de Minas Gerais sobre reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terminou sem acordo em relação aos valores.

No dia 17 de novembro, o secretário-geral do estado, Mateus Simões, chegou a dizer que a empresa ofereceu um valor de R$ 21 bilhões por danos sofridos pela economia. O estado pede R$ 26,7 bilhões, além de R$ 28 bilhões por danos morais. Porém, desta vez, o secretário disse que valores de reparação não foram discutidos nesta audiência. "Nosso maior problema no momento não é a questão do valor. Chegamos a um consenso sobre a governança do acordo. Os assuntos relativos aos atingidos serão remetidos à Assembleia Legislativa. Também discutimos as obrigações da Vale, de reparo ambiental, e a execução de obras a cargo o Exeutivo", disse Matheus Simões. Por meio de nota, a mineradora disse que "continua empenhada em construir um acordo global com o governo de Minas e as instituições de Justiça". Na audiência desta quarta-feira, segundo a empresa, houve avanços e valores não foram discutidos.

O pagamento do auxílio emergencial aos atingidos foi estendido até o dia 31 de janeiro de 2021.

Uma nova audiência será realizada no dia 27 de dezembro.

A tragédia aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019. Além dos danos ambientais, o desastre deixou 270 vítimas. Até hoje, 11 corpos não foram localizados.

Atingidos por tragédia da Vale em Brumadinho fazem ato durante discussão de acordo entre mineradora e governo em BH

Integrantes do Movimentos dos Atingidos por Barragem (MAB) e de outras entidades ligadas às pessoas afetadas pela tragédia fizeram um ato em frente ao TJMG.

De acordo com eles, os atingidos cobram participação efetiva nas discussões sobre a reparação de danos.

O TJMG informou que "em função das recomendações de segurança das autoridades de saúde nesse período de pandemia, o público será restrito, conforme deliberação da 3ª Vice-Presidência do TJMG e da equipe do Cejusc 2º Grau".

Ainda segundo os atingidos, eles dizem que não são contra um eventual acordo, mas defendem que se respeite um valor que seja suficiente para promover a reparação de danos. E que, caso um termo seja firmado, os atingidos reivindicam participar da definição da destinação de recursos.

A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale também cobra “maior transparência e participação qualificada neste processo que está sendo decidido sem a principal parte envolvida”. Em uma carta, o grupo afirma ainda que medidas como pagamento emergencial, fornecimento de água e ração para os animais vêm sendo "reiteradamente descumpridas”.


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